O linchamento de Ramallah

A abominável condição humana

Rabino Yerahmiel Barylka (Jerusalém)
 A morte é a morte. Não há morte bela nem estética.  Até alguns anos atrás se  pensava que havia mortes heróicas.  Hoje, a maioria das pessoas rejeitam com repugnância a heroização da expiação da vida em luta.  Não há ideal que possa santificar o fim da vida. Somente a perversão  que a predominância de Tanatos pode instalar-se em certas patologias, e disfarçar-se de ideologia.  Nem mais a TV  convence quando  se presta satisfeita às manipulações para conseguir  manobras que enganem incautos no altar do RATING e assim  untar a PANTALLA com litros de ketchup fabricados com sangue humano.  Ao contrário dos velhos filmes do faroeste.  Lá usavam sucos de tomates maduros para que parecessem sangue.  Hoje no realismo posmoderno,  usa-se  sangue humano para acalmar a sede de morte.
Não há morte heróica, porém há morte abominável.  Pessoas execráveis que matam.  Que  não conformados se irritam com o cadáver.  Dançam e se regozijam com as mãos ensopadas de sangue .  Pessoas?  Para quem não há convenções.  Não há lei.  Não há moral.  Há em alguns casos religião  que menciona  os deuses furiosos que querem mortos.  Deuses que  desejam morte não chegam nem a figuras desprezíveis . Muitos mortos.  Muitos heróis.  Os assassinos foram instigados perversamente mostrando os fragmentos animalescos de seu espírito e responderam instintivamente ao estímulo internalizado.  Pobres diabos.  Brutos miseráveis.  Bestas inumanas.
O linchamento  de Ramallah é a amostra.
Ninguém pode justificá-lo.  Nem aqueles que estejam convencidos da justiça da causa dos  que se consideram vítimas e apoiam seus direitos.  A criação à Imagem se dissolve.  Não há mais Imagem.  Não há mais Semelhança.  Só animalismo perverso de uma turba sedenta de presas.  Se essas são criaturas criadas a Sua imagem, não há deus.  Se esses são seres humanos, não quero ser considerado ser humano.
Bestas.  Bárbaros irracionais.
Menos que bestas.  Não conheço em nenhuma escala biológica nenhum grupo que possa pegar um semelhante e ENSAÑARSE com seus restos depois de sua morte.  Apunhalá-lo.  Esquartejá-lo.  Pisoteá-lo.  Golpeá-lo com todos os objetos ao alcance da mão e regozijar-se.  Lançá-lo de uma janela, para que os amigos continuem o divertimento.  Participem e aplaudam.  Arrastá-lo.  LUCIRLO desfigurado.
A televisão italiana captou parte das cenas mas não as mostrou.  Superaram os limites do bom gosto.  Não LUCEN no salão da casa na hora da cena, quando se bebe uma boa tequila e se fuma um não pior cigarro.  Até que se libertaram.  Mutiladas.  LO MISMO DA.  Ver essas  cenas era despertar-se da virgindade e da inocência e imergir-se na realidade que supera toda  fantasia.
A morte é a morte.  O linchamento provoca asco e vergonha alheia.
E foi a noite, e foi o dia, e veio o caos .E no princípio um mundo assim não devia ter sido criado.
E no sexto dia, Deus poderia ter descansado e evitar o trabalho de criar Adão, para que não nascessem  quem O negassem.  Quem O insultassem com sua ação.
O Verbo  pode AYUNAR  esse dia.  A natureza cantou  louvores.
Hoje a humanidade tingida de sangue, chora e se cala.
Ao fundo palavras das bestas e de seus inspiradores.
Quero silêncio.
Aspiro viver outro dia só para ver se posso afastar-me da pertinência daqueles que não tem Imagem.
Mas não desejo viver em sociedade com aqueles que parecem humanos e não o são, nem um dia mais.
Quero cantar a vida.  Necessito silêncio.
Hoje não posso.  Hoje não o tenho.
Certos filhos de Adão, mataram a esperança.
O único consolo é ter a certeza, de que não são filhos de homem.  Um erro.  Uma má jogada de genes.  Ou talvez mal evolucionados animais inferiores depositados na Terra, de alguma galáxia destruída,  por serem indesejáveis e perigosos.
Um pesadelo.
Quem sabe me desperto amanhã e digo que foi só pesadelo.
Certamente alucinação.  Não aconteceu.  Não pode ser.
Por favor, que alguém venha e me diga que ainda há esperança.  Que a Criação não foi erro.  Que ainda há vida.
Por favor, ajuda !
Não posso continuar escrevendo.  Não posso respirar mais.
 Rab. Yerahmiel Barylka

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